segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Arminiano, Eu? Quem Foi Armínio Mesmo?

Embora Jacob Armínio
sempre seja mais lembrado
devido aos seus ensinamentos
a respeito da salvação, uma
das maiores lições que ele nos
deixou foi seu exemplo de
coragem pela ousadia que
teve em defender as
Escrituras mesmo sabendo
das consequências que
enfrentaria por estar
confrontando os pensamentos
da maioria de sua época.
    Você é calvinista ou arminiano? Continuando no auxílio para que você mesmo responda a essa pergunta, antes de continuar, quero esclarecer que minha posição pessoal diante dessa questão não interfere no relacionamento com irmãos de ambos os lados, considerando que tanto em uma linha de pensamento quanto na outra, desde que haja obediência à Palavra de Deus, há salvação. Então, vejamos agora um pouco sobre Armínio. Tendo nascido em Oudewater, na Holanda, no dia 10 de outubro de 1.560, e falecido em Leiden no dia 19 de outubro de 1.609, esse renomado teólogo cristão nos deixou um material de incalculável valor no que se refere à interpretação da doutrina bíblica da salvação. Tendo ele, a princípio, sido seguidor e defensor do calvinismo, com o passar do tempo, sob influência de outros teólogos e uma análise da Bíblia sob um diferente ponto de vista, e também por não concordar com a condenação de hereges à morte, passou a refutar vários pontos ensinados pelos seguidores de Calvino. A partir daí -, acusado de heresia, enfrentou grande perseguição. Resumindo, após sua morte, em 1.618, os remonstrantes[1], definindo-as em cinco artigos, os quais foram recusados pelos calvinistas que, apresentando-se no Sínodo de Dort[2], expuseram também os cinco pontos do calvinismo. Mas quais são mesmo os cinco artigos do arminianismo[3]? Eles são chamados de FACTS, sigla que significa F [Freed by Grace: Livre pela Graça]; A [Atonement for All: Expiação para Todos]; C [Conditional Election: Eleição Condicional]; T [Total Depravity: Depravação Total]; S [Security in Christ: Segurança em Cristo].  Vejamos agora, resumidamente, cada um deles.
Livre pela Graça - De acordo com a interpretação de Armínio:
·       Deus chama a todos e lhes dá oportunidade de arrependimento por meio do conhecimento da Palavra (Pr 1:24,25; Jr 7:24; Zc 7:11,12; 2ª Tm 3:8,9; Hb 2:1-5).
·       Se existe apelo ao arrependimento, então é sim possível resistir à Graça, ou seja, recusar a vontade de Deus (Mt 22:3; Lc 7:30; Jo 5:40; At 7:51-53; 2ª Co 6:1; Hb 12:15a; 1ª Tm 1:19,20).
·       Cabe ao homem o livre arbítrio de receber ou não a Graça. Assim sendo responsável por sua salvação ou condenação (Sl 81:11-16; Ez 24:13; Mt 23:37,38; Hb 6:7,8; 2ª Pe 2:20-22).

Expiação para Todos - Também conhecida como Expiação Ilimitada, na visão arminiana:
·       Por seu amor, Ele deseja a salvação de todos e assim entregou seu filho à morte para sacrificar-se concedendo perdão aos que crerem (Tt 2:11; 1ª Tm 2:4-6; 4:10; At 17:30; 2ª Co 5:14,15; 1ª Jo 2:2; 4:14; 2Pe 3.9);
·       E se arrependerem (Rm 5:6,18).
·       A palavra “mundo” confirma que a salvação pode alcançar a todos e não apenas alguns privilegiados (Jo 3:16,17).

Eleição Condicional - Conforme os ensinamentos arminianos:
·       A escolha soberana de Deus consiste em salvar aqueles que crerem em Jesus Cristo (Jo 3:16; 6:40; Mc 16:16; Rm 1:16; 5:1; 1ª Tm 4:10; 2ª Ts 2:13-15).
·       Por sua onisciência, Ele sabe quem será salvo, mas não determinou isso (1ª Pe 1:2).
·       No que se refere à eleição, ele elegeu a Igreja como corpo e não cada crente como indivíduo (Rm 8:29,30; Ef 1:4,5).

Depravação Total - O arminianismo ensina que:
·       Mesmo tendo sido criado à imagem e semelhança de Deus, o homem caiu em pecado (Gn 6:5; 8:21; 1º Rs 8:46; Sl 14:1-3; 5:12; 7:19; 1ª Jo 1:8);
·       Fazendo-se merecedor da condenação (Sl 51:1-5; Jo 3:19-21; Rm 3:10-12,23[4]):
·       Por essa natureza pecaminosa, ele não é capaz por si próprio de praticar o bem ou ter condições de se salvar (Ef 2:1-7);
·       pois isso é obra de Deus mediante sua fé e obediência (Ef 2:8-10; Cl 2:13,14; Tt 2:14).

Segurança em Cristo - Pela linha de raciocínio de Armínio:
·       Sendo a salvação mediante a fé em Cristo, a segurança da vida eterna está nEle (Jo 15:5,6; Rm 11:17-24[5] [6]; Cl 1:22,23).


    Como vimos mediante a exposição bíblica, a salvação - como também a condenação - não é uma predeterminação divina, mas sim uma escolha feita pelo próprio ser humano. Negar isso é negar nossa própria responsabilidade diante dos atos que cometemos e também a incontestável benignidade imanente do caráter de Deus, o qual é Santo e não comete injustiça. Haveria injustiça maior do que criar um ser e condená-lo ao inferno sem chance ou oportunidade alguma de defesa? Esse não é o Deus que a Bíblia revela. Diante disso, muitos indagam o porquê de tantas pessoas viverem em lugares não alcançados pelo cristianismo e não serem alcançados pelo cristianismo, as quais morrem em pecado e certamente são condenadas; a resposta à esse questionamento está em nossa responsabilidade evangelística, a qual o Senhor Jesus nos entregou dizendo: “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado”.
    Concluindo, o objetivo desse breve estudo não é promover o arminianismo e nem condenar o calvinismo, mas apenas expor a diferença entre ambos visando levar o cristão a examinar as Escrituras cuidadosamente não diminuindo ou acrescentando nada baseado em argumentos humanos; argumentos esses que muitas vezes não alteram apenas o que está escrito concernente à salvação, mas também em relação a outros assuntos como, por exemplo, a atualidade dós dons espirituais concedidos pelo Espírito Santo. Vale ressaltar ainda que nem todos os arminianos são pentecostais[7], assim como também nem todos os calvinistas são cessacionistas; porém o que se deve enfatizar é que a Bíblia fala sobre a distribuição desses dons, mas não menciona seu “prazo de validade” para antes do arrebatamento da Igreja (1ª Co 13:8-10). Assim sendo, tanto quanto à doutrina salvífica[8] como sobre os demais pontos de grande relevância no Evangelho, o que vale é a antiga regra: texto e contexto sem pretexto, ou seja, análise sincera da Bíblia sem a intenção de defender essa ou aquela ideologia.


[1]Remonstrante: A Remonstrância - ou Igreja Remonstrante -, fundada em 1.617, na Holanda, é uma resposta dos arminianos à ideologia calvinista, apresentada ao Sínodo de Dort como "Os Cinco Artigos da Remonstrância".
[2]Sínodo de Dort: Realizado na Holanda de 1.618 à 1.619, o Sínodo de Dordrecht, com participantes de oito países, teve como objetivo discutir as interpretações bíblicas apresentadas pelos remonstrantes (defensores da Teologia de Jacob Armínio). Depois de seis meses de reuniões (de 13 de novembro de 1.618 à 09 de maio de 1.619), os calvinistas conseguiram atingir seu objetivo de rejeitar oficialmente os cinco pontos do arminianismo.
[3]Arminianismo: Também chamado tradição reformada arminiana, a fé reformada arminiana, ou teologia reformada arminiana, é uma escola de pensamento soterológica de dentro do cristianismo protestante, baseada sobre ideias do teólogo reformado holandês Jacobus Arminius (1560 - 1609). Seu conceito básico de interpretação bíblica é que o homem tem livre-arbítrio para aceitar ou não a Graça, assim sendo responsável por sua salvação ou condenação.
[4]Destituído: Afastado; tirado; impedido; privado; separado.
[5]Seiva: Solução aquosa de substâncias nutritivas que as raízes absorvem do seio da terra e que circula através do sistema vascular do vegetal; a parte líquida de uma planta.
[6]Zambujeiro: Oliveira-brava, popularmente também conhecida como oliveira-da-rocha. Arbusto ou pequena árvore de até 2,5 metros de altura, ramoso, glabro com folhas opostas, oblongas a linear-lanceoladas, de 1 a 10 centímetros de comprimento, coriáceas, subsésseis de cor verde-acinzentadas. Apresenta flores pequenas, de corola branca, com cerca de 4 milímetros de diâmetro, reunidas em panículas axilares de 2 a 4 centímetros. O fruto apresenta-se como uma drupa, pouco carnudo, elipsóide e preto.
[7]Pentecostal: Relativo a Pentecostes. Termo que se refere à igrejas, ou a membros de igrejas, que professam a fé na atualidade de manifestações espirituais como, por exemplo: cura, batismo com o Espírito Santo, profecias, etc. Termo normalmente aplicado em relação aos crentes emocionalmente mais exaltados.
[8]Salvífico:  O que salva; o que oferece salvação.

sábado, 30 de setembro de 2017

Calvinista, Eu? Quem Foi Calvino Mesmo?

Entre tantas polêmicas e
acusações - inclusive de
assassinatos -, Calvino nos
deixa uma grande lição de
que quando se luta pelo que
se crê, as raízes do seu
trabalho podem se expandir
e frutificar ao longo da
história.
    Você é calvinista ou arminiano? Essa é uma velha pergunta que muitos evangélicos não sabem responder, e certamente essa deve ser uma das razões que te levaram a ler esse texto. Para saber do que se trata, nada melhor do que ir na origem da história; então, vamos começar por Calvino, quem foi ele mesmo? João Calvino (Jehan Cauvin), tendo nascido em Noyon - na França - no dia 10 de julho de 1.509, e falecido em Genebra - na Suíça - no dia 27 de maio de maio de 1.564, foi um teólogo que professou o cristianismo, deixando sua marca por meio de sua interpretação bíblica que prega aquilo que podemos chamar de doutrina da salvação por meio da predestinação ou Graça irresistível, ou seja, é aquela linha de pensamento que diz: “uma vez salvo, sempre salvo”. De fato, como cristão, Calvino demonstrou ser zeloso por aquilo que acreditava e defendia sua fé como poucos cristãos defendem aquilo que creem; no entanto, o objetivo de nosso estudo aqui não é falar de sua vida particular, mas sim sobre suas interpretações bíblicas, e é isso que vamos enfocar.
    O calvinismo[1] em si pode ser caracterizado por cinco pontos básicos nos quais se resume sua doutrina. Trata-se da sigla TULIP, cujas iniciais, em inglês, possuem o seguinte significado: T [Total Depravity: Depravação Total]; U [Unconditional Election: Eleição Incondicional]; L [Limited Atonement: Expiação Limitada]; I [Irresistible Grace: Graça Irresistível]; P [Perseverance of the Saints: Perseverança dos Santos]. É importante ainda ressaltar que embora esses pontos se refiram aos ensinos de Calvino, esse termo não foi criado por ele, mas sim por defensores de sua ideologia que o elaboraram em resposta aos seus opositores, no ano 1.610, apresentando-o como os “cinco artigos de fé”. Abaixo veremos cada um dos pontos dessa teoria teológica, apenas mostrando algumas das referências bíblicas aplicadas por eles sem explicá-las, pois meus comentários e interpretação sobre a doutrina da salvação estão no texto “Afinal, a Salvação é Predestinada ou Conquistada?”.
Depravação Total - De acordo com o calvinismo, o ser humano é dotado de uma capacidade natural para o mal. Assim sendo, nenhuma vontade benigna existe nele por si próprio, o que significa que se Deus não impuser fé e desejo em sua mente, ele só tende ao pecado. Para argumentar que o homem sequer é capaz de desejar fazer o bem, baseiam-se em alguns textos bíblicos na intenção de:
·       Provar nossa natureza pecaminosa (Sl 51:5[2]);
·       Seguida pela tendência ao mal (Jr 13:23);
·       A inexistência de justiça e fidelidade na humanidade geral (Rm 3:10-12), assim como no homem de modo particular (Rm 7:18);
·       A incapacidade humana de compreender as coisas de Deus (1ª Co 2:14);
·       Mostrando o que consideram como soberania divina (Ef 1:3-12[3] [4] [5] [6] [7] [8] [9]);
·       E a impossibilidade do homem para arrepender-se e ser perdoado sem que seja impulsionado a isso (Cl 2:11-13[10]).

Eleição Incondicional - Segundo a interpretação calvinista, Deus não tem a obrigação de salvar ninguém, por isso elegeu apenas alguns para a salvação e rejeitou os demais, condenando-os à perdição eterna sem nenhum direito ou oportunidade para que sejam salvos. Seus argumentos bíblicos para explicar tais pensamentos são:
·       A escolha de Deus em relação à Esaú e Jacó (Ml 1:2,3[11] [12]);
·       O que Jesus disse sobre ninguém poder ir a Ele se isso não fosse concedido pelo Pai (Jo 6:65);
·       O fato de Ele ter escolhido seus discípulos (Jo 13:18; 17:9);
·       Aparentes afirmações de que os salvos já estão previamente escolhidos (At 13:48; Rm 8:28-33; Ef 1:4,5; 2ª Ts 2:13,14; 1ª Pe 2:8,9);
·       Uma tal soberania que controla a vontade do homem (Rm 9:15-23);
·       Enfatizando que o homem nada pode fazer em relação à sua própria salvação (Rm 11:5-7; Ef 2:8-10).

Expiação Limitada - Os que seguem a visão calvinista sustentam a opinião de que somente os escolhidos foram “programados” para crer e que, embora a vontade divina seja a salvação de todos e para todos foi concedida essa oportunidade, apenas os eleitos realmente crerão. Segundo essa linha de pensamento:
·       Expressões como “homens” e “mundo” possuem um sentido individual e não generalizado; assim tornando algumas pessoas especiais para Deus e outras desprezíveis, e isso não por mérito de sua obediência ou por demérito de seus pecados, mas por decisão dEle mesmo (Jo 17:6:9,10).

Graça Irresistível - Pela interpretação dos teólogos calvinistas, não há liberdade de escolha (livre arbítrio) para o homem, ou seja, se estiver predestinado à salvação não resistirá ao chamado pela força irresistível do Espírito Santo e, ao mesmo tempo, se estiver predestinado à condenação não terá chance alguma de obter salvação. Suas argumentações teológicas consistem em:
·       Dizer que Deus tem seus propósitos, mas a culpa pelo pecado é do próprio homem (Jr 3:3[13]);
·       Mas a causa da salvação não é a obediência, e sim a “sorte” de ter sido escolhido (Jr 24:7; Ez 11:19,20; 36:26,27).
·       Basear-se na dependência do ser humano em relação a Deus, para dizer que ele nada faz fora da vontade do Todo-Poderoso (1ª Co 4:7; Ef 1:19; Cl 2:13);

Perseverança dos Santos - Dentro da linha de pensamento do calvinismo, o conceito que podemos ter é “uma vez salvo, sempre salvo”. Por mais que peque, o eleito não errará o caminho porque o Senhor sempre terá misericórdia sobre ele, de alguma forma “dando um jeitinho” para que ele possa ser considerado santo e possa entrar no céu. Há também o argumento de que alguns, pela Graça, também recebem a fé e vivem como se fossem eleitos, mas não é essa uma fé de raiz viva que permanecerá até o fim - essa é a Graça Evanescente[14] -. Segundo eles:
·       É impossível um eleito perder a salvação (Is 54:10; Jo 6:51; Rm 5:8-10; 8:28-39; 1ª Co 5:1-5; Fp 1:6; 2ª Ts 3:3; Hb 7:25);
·       Da mesma forma que é impossível que um condenado perca a condenação (Rm 9:21,22).
·       Assim sendo tanto a salvação quanto a condenação para a glória de Deus (Rm 9:23-26).
    Como vimos, de acordo com a teologia calvinista, a salvação não é simplesmente uma oportunidade, mas uma escolha projetada e executada por Deus sem que nenhuma atitude humana possa alterá-la; dessa forma, a condenação possui o mesmo conceito, o que sob a ótica da lógica iguala a soberania divina à tirania de um rei caprichoso que exalta e mata sem razão alguma. Faz sentido alertar tanto contra as consequências do pecado e simplesmente não permitir que o pecador deixe de pecar? Faz sentido falar tanto sobre os benefícios da santidade, mas no final salvar alguém que nunca quis abandonar o pecado, somente pelo fato de ele ser um eleito? A intenção aqui nem é questionar nossos irmãos seguidores do calvinismo, mas em nossa mente essas perguntas são inevitáveis.
    De forma não generalizada, seus defensores - cuja maioria gosta de se identificar como cessacionista[15] e monergista[16] - são assíduos leitores e estudantes da Bíblia e de literaturas de autoria de mestres especializados no assunto. São pessoas que gostam de pensar e fazer pensar, demonstrando um aplausível amor pelo Todo-Poderoso e as coisas concernentes ao seu Reino. O ativismo de grande parte deles em defesa ao que creem nos inspira a dar maior valor à busca pelo conhecimento do conteúdo das Escrituras Sagradas; porém, o extremismo radical de muitos deles os transforma em soldados perdidos numa guerra incoerente, pois que sentido faz alguém lutar para convencer os demais ao seu idealismo, sendo que isso já está previamente determinado, assim sendo imutável? Ou seja: se tudo está destinado a ser como é, até a minha “incredulidade” já está determinada e eu estou destinado a isso. Isso significa que essa é uma “briga” vã, certo? Do mesmo modo, vemos também que muitos deles são extremamente revoltados com as injustiças desse mundo e cobram punições rígidas contra elas aos nossos governantes; ora, se tudo isso é obra de Deus dentro dos seus propósitos, então estariam eles revoltados contra o próprio Deus? São esses apenas alguns fatores que, inevitavelmente, nos tentam a classificar essa doutrina como incoerente. 
    Diante do exposto pelas referências bíblicas que utilizam, com muito amor e carinho, sinto-me na obrigação de aconselhá-los à uma detalhada análise de texto e contexto buscando diferenciar situação, motivo e destino de cada parte das Escrituras. Também devo salientar que creio na salvação daqueles dentre eles, os quais não abandonam a vida de santidade confiando na predestinação, pois, inclusive os “ativistas mais briguentos” demonstram com isso grande esforço para “conquistar” a salvação.




[1]Calvinismo: Também chamado de Tradição Reformada, Fé Reformada ou Teologia Reformada, o calvinismo é tanto um movimento religioso protestante quanto uma ideologia sociocultural com raízes na Reforma iniciada por João Calvino em Genebra no século XVI. Sua principal característica é a crença de que a soberania divina determina a salvação e a condenação sem que nenhuma atitude humana possa mudar essa decisão tomada previamente.
[2]Iniquidade: Falta de eqüidade (retidão). Pecado que consiste em não reconhecer igualmente o direito de cada um, em não ser correto, em ser perverso. Erro consciente.
[3]Eleger: Escolher. Optar entre os demais. Demonstrar preferência. Selecionar.
[4]Predestinar: Escolher (Rm 8:29-30; Ef 1:5,11; 1ª Pe 2:9,10). Dar destino. Eleger.
[5]Beneplácito: Consentimento; aprovação; autorização.
[6]Redenção: Libertação.
[7]Remissão: Ato ou efeito de remir, livrar. Indulgência, misericórdia. Expiação, perdão.
[8]Dispensação: Da parte de Deus, o plano de salvação da humanidade (Ef 1:10; 3:9). Da parte do ser humano, "dispensação" é trabalho ou missão que visa à aplicação do plano divino em favor da humanidade (1ª Co 9:17; Ef 3:2; Cl 1:25).
[9]Plenitude: Estado ou qualidade do que está completo, cheio, inteiro. Totalidade.
[10]Circuncisão: Cerimônia religiosa em que é cortada a pele, chamada prepúcio, que cobre a ponta do órgão sexual masculino. Os meninos israelitas eram circuncidados no oitavo dia após o seu nascimento. A circuncisão era sinal da Aliança que Deus fez com o povo de Israel (Gn 17:9-14). No Novo Testamento, o termo às vezes é usado para designar os israelitas (Gl 2:8; Cl 4:11). Outras vezes significa a circuncisão espiritual, que resulta numa nova natureza, a qual é livre do poder das paixões carnais e obediente a Deus (Jr 4:4; Rm 2:29; Cl 2:11; Fp 3:3).
[11]Esaú: Significa “Peludo”. Irmão gêmeo de Jacó (Gn 25:25). Vendeu o direito de primogenitura ao seu irmão por um cozido de lentilhas (Gn 25:30-34). Perseguiu Jacó para matá-lo, porém mais tarde fez as pazes com ele (Gn 32:3-33:17). Foi patriarca dos edomitas.
[12]Jacó: Significa enganador. Filho de Isaque e Rebeca e irmão gêmeo de Esaú (Gn 25:21-26). A Esaú cabia o direito de Primogenitura por haver nascido primeiro, mas Jacó comprou esse direito por um guisado (Gn 25:29-34). Jacó enganou Isaque para que este o abençoasse (Gn 27:1-41). Ao fugir de Esaú, Jacó teve a visão da escada que tocava o céu (Gn 27:42-28:22). Casou-se com Léia e Raquel, as duas filhas de Labão (Gn 29:1-30). Foi pai de 12 filhos e uma filha. Em Peniel lutou com o anjo do Senhor, tendo recebido nessa ocasião o nome de Israel. Para fugir da fome, foi morar no Egito, onde morreu. Esse nome também era usado para identificar o povo de Israel (Nm 24:5). Pai de José, o marido de Maria (Mt 1:15-16).
[13]Serôdio: Pouco usual. Que ocorre fora do período normal.
[14]Evanescente: Que se pode desvanecer (desaparecer); de frágil existência. Que tende a se dissipar.
[15]Cessacionista: No cristianismo, esse termo se refere aos adeptos de uma linha teológica que não acredita na atualidade da ação de todos - ou da maioria, dos dons concedidos pelo Espírito Santo como, por exemplo: curas, falar em línguas e profecias.
[16]Monergista: Adepto do monergismo, que é um segmento teológico que crê que o Espírito Santo sozinho atua num ser humano e propicia a conversão; o prefixo grego “mono” significa “um”, “único”, ou “sozinho”, enquanto o sufixo “ergon” significa “trabalhar”. Tomando juntos significa “o trabalho de um [indivíduo]”.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

"Pedis e Não Recebeis, Porque Pedis Mal"

Não que seja errado orar por nossas
necessidades, sonhos ou desejos,
mas um dos fatores que definem
a resposta positiva de Deus a
uma oração é a intenção do nosso
coração. Por essa razão, a primeira
coisa que devemos pedir é que Ele
guie nossa vontade de acordo com
a vontade dEle. Isso evita muito
sofrimento.
Tiago 4:3a - “Pedis e não recebeis, porque pedis mal [...]”
    Esse versículo tem rendido verdadeiras pérolas no meio gospel: há quem diga que a pessoa não tem suas orações atendidas porque não ora ajoelhado e em voz alta (1º Sm 1:13); porque ora em voz alta, o Diabo escuta e impede a bênção (Is 43:12,13); porque pede para Jesus ou para o Espírito Santo sendo que tem que pedir para Deus com a ajuda do Espírito Santo e em nome de Jesus - em regra, sim, mas não significa que não possa haver exceções - (At 7:59); porque esquece de dizer “amém” no final da oração (Rm 14:5,6); ou até mesmo porque quando está pedindo não especifica detalhes como a cor, marca, modelo, formato e tamanho daquilo que está pedindo (Tg 4:13-16) e, ainda pior, porque na oração diz para Deus fazer a vontade dEle, aí Ele não dá mesmo porque isso é falta de determinação (Mt 26:39). Seja por ingenuidade ou segundas intenções, quem manipula as Escrituras dessa forma precisa ser refutado para o bem dos que o ouvem e dele próprio que está caminhando para o abismo.
    Quando falava que muitos pedem e não recebem porque pedem mal, ele não se referia a regras a serem aplicadas na oração, mas sim à situação da pessoa que está orando e ao motivo do seu pedido (Tg 1:1,2). Ele deixa claro que a intenção da pessoa, para ser atendida, tem que ser boa (Tg 1:3); na sequência, ele continua falando de um povo que clamava a Deus, mas suas atitudes eram condizentes com o mundo pecaminoso (Tg 1:5-10). Quanto às regras, é claro que existe sim uma postura quando nos colocamos a falar com Deus, porém isso é apenas uma questão de prudência e reverência e não um fator determinante para garantir uma resposta positiva dEle. O que define o êxito de uma oração é a fé (Mt 8:25,26), a santidade (Jo 9:31) e, acima de tudo, o propósito divino (Is 14:27). O que o crente precisa saber é se seu pedido condiz com a vontade de Deus; para isso é preciso pedir que o Senhor guie seu coração, confirmando ou fazendo-o perder aquele desejo caso aquilo não seja para ele; pois muitas vezes somos traídos pelo nosso coração (Jr 17:9,10).

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

“Deus Não Habita em Templos Feitos Por Mãos de Homens”

Não saber diferenciar entre templo
como casa de Deus e como local de
ajuntamento daqueles que o
adoram, tem sido a causa de
grandes confusões alimentadas por
aqueles que não querem ter
compromisso com a Obra do Senhor
formalizada como instituição na terra
pela Igreja.
Atos 7:48 - “mas o Altíssimo não habita em templos feitos por mãos de homens [...].”
    Uma leitura isolada desse versículo é o que tem feito muitos acharem que não precisam ou não devem frequentar um templo porque Deus não está lá. Mas lendo todo o texto - a última pregação de Estevão, pela qual foi apedrejado - vemos que ele está falando em sentido espiritual e não físico, pois Deus é Espírito e é onipresente; dessa forma ele não precisa de um lugar para morar, mas está em todos os lugares ao mesmo tempo. Paulo enfrentou situação parecida explicando aos atenienses que o templo ou imagens não deviam ser idolatradas (At 17:22-26).
    Estevão falava da rebeldia de Israel no deserto (At 7:38-46), então disse que o Altíssimo não habita em templos - ou casas - feitos por homens: declaração semelhante à que Salomão fez em sua oração pelo templo (1º Rs 8:27), enfatizando também o que falou Isaías (At 7:49,50; Is 66:1,2). Continuando sua mensagem repreensiva, diz que o povo sempre resistiu ao Espírito Santo (At 7:51); assim estava dizendo que iam ao templo cumprir formalidades, mas não adoravam verdadeiramente (Mc 7:5-9) e nem eram fiéis, porque sempre perseguiram e mataram os profetas (At 7:52,53). Não preciso nem dizer o que aconteceu com Estevão depois dessa pregação “sem unção”...  Concluindo, ele não estava pregando contra a existência de templos, e sim ensinando que templos não são um lugar específico aonde Deus está (Jo 4:21-24; Mc 13:1,2). Isso significa que não temos que frequentá-los? Não! Ao contrário! Eles são o lugar em que nos reunimos para adorar e aprender a Palavra (1ª Co 14:26); não posso dizer que amo ao Senhor se não consigo servi-lo junto com meus irmãos (1ª Jo 4:20,21). E aquele negócio de “a Igreja sou eu”? Isso é só mais um modismo Gospel, pois a Bíblia diz que somos membros de um Corpo e não o Corpo: a Igreja somos nós (Rm 12:4,5; 1ª Co 12:12-28)! Ser templo do Espírito Santo (1ª Co 6:19; 2ª Co 6:16) não é ser Igreja sozinho e sim ter o Espírito Santo em nós (Ef 5:18-21).

terça-feira, 29 de novembro de 2016

“Vós Tendes a Unção do Santo e Sabeis Tudo”

Recusa de conhecimento bíblico
não é sinal de unção espiritual,
mas sim de negligência e
desrespeito à Palavra daquEle a
quem se diz acreditar, amar,
adorar e respeitar.
1ª João 2:20 - “E vós tendes a unção do Santo e sabeis tudo.”
    A leitura superficial desse versículo é mais um prato cheio para quem não gosta de estudos bíblicos. Mas, calma! Antes de rasgar os livros teológicos, as revistas da EBD e talvez até a própria Bíblia, vamos conversar porque existe uma boa explicação para isso! Antes da explicação, vale lembrar a importância daquela regrinha básica: O contexto fala de quê? Por quê? Pra quem? Essas são apenas as principais perguntas que se deve fazer antes de uma interpretação de texto.
    O assunto desse capítulo da epístola trata de pecado e obediência aos mandamentos. Nesse ponto, o apóstolo João começa a alertar contra os falsos mestres, classificando-os como anticristos, os quais até chegaram a fazer parte da Igreja, mas não permaneceram nela (1ª Jo 2:18,19). O Santo que ele menciona é o próprio Espírito Santo - letra “S” maiúscula - (1ª Jo 2:20; Jo 14:26) e as expressões “unção” e “sabeis tudo” se referem ao dom do discernimento de espíritos (1ª Co 12:10c); tal exortação era apenas o reforço de uma informação que os crentes já tinham (1ª Jo 2:21; Rm 10:9); porque muitos falsos pregadores diziam que Jesus não era o Messias, então o alerta era para que os irmãos não caíssem em dúvida do conhecimento que haviam recebido como base de sua fé na promessa da salvação (1ª Jo 2:22-26; 1ª Jo 4:3; 2ª Jo 1:7-10); pois o ensinamento e a pregação da Palavra transmitem ao ouvinte que verdadeiramente a recebe uma testificação do próprio Espírito Santo que não o permite ser enganado (1ª Jo 2:27; At 5:3); a ordem era para que não dessem ouvidos a falsos ensinamentos não sendo assim condenados no dia da vinda do Senhor (1ª Jo 2:28,29; 1ª Jo 3:23). Dessa maneira, entendemos que quando ele diz que “não é necessário que ninguém vos ensine” está falando sobre discernimento espiritual: aquilo que o crente sente em seu coração e consegue diferenciar entre a verdade e a mentira (1ª Jo 3:23,24; 1ª Jo 4:1,2). Assim sendo, não se trata de uma proibição da busca por conhecimento (Os 4:6; Tg 1:5; Mc 12:24). 

“A Letra Mata”

Confundir a letra da Lei com a
letra da Bíblia é o que tem
mantido muitos cristãos na
escuridão da ignorância, assim
levando muitas pessoas à
prática de heresias que apenas
escandalizam o Evangelho. A
Palavra de Deus não mata
ninguém; o que mata mesmo é
a falta de conhecimento sobre
ela.
2ª Coríntios 3:6 - “o qual nos fez também capazes de ser ministros dum Novo Testamento, não da letra, mas do Espírito; porque a letra mata, e o Espírito vivifica.”
    Esse merece estar no topo da lista dos versículos mal interpretados; pois a partir do pensamento de que estudar a Bíblia leva à morte espiritual, outros versículos acabam também sendo mal interpretados. O não entendimento desse texto leva muitos a encarar a Teologia e até mesmo a Escola Bíblica Dominical como coisa desnecessária ou perigosa, pois estariam supervalorizando o conhecimento humano e diminuindo a “unção espiritual”. Quanta hipocrisia e ingenuidade! Se essas mesmas pessoas ouviram falar sobre Deus, Jesus e o Espírito Santo e agora são cristãs é porque alguém que estudou a Bíblia levou esse conhecimento à elas.
    Para entender o que significa “a letra mata” é preciso ler o contexto. Aqui Paulo ensinava a Igreja sobre a necessidade de que os judeus convertidos ao cristianismo se desprendessem da antiga Lei Mosaica (2ª Co 3:1-5); essa é a letra a que ele se refere - a Lei foi entregue à Moisés em letras gravadas em pedras -, ela foi dada para punir pecados enquanto que a Graça - o Espírito Santo - veio para dar vida (2ª Co 3:6; Gl 3:21-23); a Lei, embora manifestada gloriosamente, era transitória (2ª Co 3:7; Êx 34:28-35); a Graça, além de gloriosa, é permanente (2ª Co 3:8; Mt 28:18-20), e em vez de apenas apontar o pecado, oferece oportunidade de salvação (2ª Co 3:9; 2ª Co 4:16-18); não se pode comparar a antiga com a nova Aliança (2ª Co 3:10; Hb 7:11,12); os rituais feitos por sacerdotes humanos não eram perfeitos, mas o de Cristo tem poder para dar vida eterna (2ª Co 3:11; Hb 10:15-18); o Evangelho veio para resgatar e transformar vidas que pelos sacrifícios da Lei não podiam ser libertos da condenação (2ª Co 3:12-18; Hb 10:19-23). Resumindo, a expressão “a letra mata” é uma advertência aos legalistas presos às tradições religiosas e não uma ordem para não estudarmos as Escrituras Sagradas, as quais existem para a nossa vivificação espiritual (Jo 5:39; Mt 22:29; 2ª Tm 3:14-17; At 8:30,31).